Publicação

Magic the Gathering | Standard

REPORT DO CAMPEÃO DO MCQ STANDARD!

Posto este artigo em nome do  Gabriel Lopes :

"Então…  eu ganhei um MCQ!

 

Uma Breve Introdução

 

Eu comecei a jogar Magic quando a edição Dragões de Tarkir foi lançada, em 2015, e, hoje, jogo modern com um deck inteiramente meu (UW Control) e até legacy (BR Reanimator com Dual Lands emprestadas). E, no standard, pilotei o Esper Midrange por precisamente um dia antes de jogar o Mythic Championship Qualifier (MCQ). Até então, minhas maiores conquistas no mundo do Magic haviam sido: ganhar um PPTQ em uma das lojas de Brasília e chegar ao top 8 do primeiro Eternal Challenge (circuito legacy). Mas, mesmo não tendo nenhum resultado impressionante, sempre busquei melhorar a cada torneio, tentando aprender com erros passados. O que me traz de volta ao MCQ, mais especificamente à minha “não-preparação” para o mesmo.

 

A Busca de um Deck

 

Há uma semana do MCQ, eu ainda estava desapontado com minha performance no Eternal Challenge da semana anterior. Joguei o evento de BR reanimator: um deck que é extremamente poderoso e explosivo e inconsistente... Cometi alguns erros durante o curso do torneio, sem dúvida. Mas o principal erro foi ter escolhido um baralho sem muitas opções de jogo: ou é bem sucedido em combar ou não. Foi, então, que tomei minha primeira decisão para o MCQ: jogar com um deck interativo (e, mais importante, consistente!).

Só tinha um pequeno problema: eu não tinha nenhuma carta do standard, muito menos um deck.

Eu estava, inicialmente, cogitando jogar de Temur Reclamation, mas fui convencido a pesquisar mais opções e devo ter olhado mais da metade das 116 listas do StarCityGames Open de Richmond. Foi quando duas listas chamaram minha atenção: Dimir Control do Austin Collins (http://www.starcitygames.com/decks/128989) e Esper Midrange do Brian Braun-Duin (http://www.starcitygames.com/decks/128976).

A primeira lista que eu realmente montei e testei foi uma lista muito parecida com a que o Austin jogou. Porém, após ver o deck em ação, cheguei à seguinte lista:

 

 

Esta lista tinha/tem alguns problemas, sendo o principal deles a dificuldade em terminar o jogo. O deck tinha poucas maneiras de achar seus planeswalkers e o God-Eternal Kefnet , o que significava que, por mais que o deck respondesse o que o oponente fizesse, ele acabava dando tempo o suficiente para o mesmo voltar ao jogo. Isto, combinado ao fato de que o deck tinha um match deplorável contra o Esper Control, me levou a abandoná-lo. Me dei conta de que havia passado a semana quase toda pensando e montando uma lista decente de Dimir e que havia desistido do deck, restando apenas 2 dias para o MCQ!

 

Esper Midrange

 

No desespero, perguntei para o  Matheus Ponciano  com qual deck eu deveria jogar. A resposta foi simples: Esper! Mas, sendo tão indeciso, passei a quinta-feira pesquisando a respeito. Para minha sorte, neste mesmo dia, vi um post no reddit apresentando os matchups dos diferentes decks de acordo com os dados do Open de Richmond (https://mtgmeta.io/tournaments/250?utm_source=share&utm_medium=ios_app). Dentre as builds de Esper, o Midrange tinha, na minha opinião, os melhores matchups para o field esperado para o MCQ. Ou seja, ele tinha um match positivo (60% de win rate) contra Mono Red, além de um match decente contra UG Nexus (55%). O único match realmente ruim do deck parecia ser o Esper Control (40%). Depois de olhar algumas listas de Esper Midrange, eu decidi voltar à lista do Brian Braun-Duin e adaptar ela para o meta que eu estava esperando (bastante Mono Red e Nexus/Control).

Eis a lista final:

 

 

Vou explicar rapidamente minhas decisões ao montar essa lista:

1 - Como o deck não tem muita seleção de carta, qualquer uma com custo menor que 5 deveria ser utilizada ao menos 2 cópias (a única exceção sendo o Ego à Deriva  do side);

 

2 - 4x Heroína do Primeiro Distrito , Ladra da Sanidade , Dissolução do Pensamento  e Mortificar . Estas 4 cartas formam o centro do deck e devem ser utilizadas 4 cópias de cada. O descarte é a melhor carta do deck quando jogada no 2º turno. O  Piromante Jovem branco segura decks agressivos e/ou coloca muita pressão e pede uma resposta de outros baralhos. E até o mesmo o Ladrão consegue carregar o jogo sozinho se ele conectar mais de uma vez. Dentre esses, o Mortificar é o mais estranho de se utilizar 4 cópias, porém devido à sua versatilidade considero-o tão importante quanto os outros: controle controles ou combos ele resolve cartas problemáticas como Busca por Azcanta  e Reconquista da Natureza ). Contra decks agressivos,  Frenesi Experimental .

 

3 - 2x Tyrant's Scorn  e  Dovin's Veto . Estas cartas foram incluídas pela sua versatilidade e capacidade de responder cartas importantes nos turnos de dois a quatro. Outras listas usavam 2 Despark  no lugar dos vetos, mas na minha opinião o deck já tinha maneiras o suficiente de responder permanentes problemáticas de custo 4+, então eu optei pela versatilidade do veto.

 

4 - 2x Oath of Kaya, Sorin, Vengeful Bloodlord, Seraph of the Scales e 1x Enter the God-Eternals. Eu realmente queria ganhar de baralhos mais agressivos.

 

5 - Curva 5+: Os planeswalkers da curva 5+ são todos insanos e conseguem fechar o jogo sozinhos.

 

2x Teferinho, como é popularmente conhecido: O  Teferi, Time Raveler de cara não parece uma carta muito boa. Decks que não utilizam counters podem simplesmente ignorá-lo, o que significa que pode acabar sendo apenas um bounce que compra uma carta. Mas, aí é que está a questão: um bounce que compra uma carta não é uma carta horrível. Eu vou argumentar que o Teferinho consegue ser melhor que um simples bounce por ser um planeswalker com uma habilidade estática relevante. Esta habilidade passiva força os decks a resolverem a ameaça ou, caso isto não ocorra, ficam vulneráveis por precisarem responder outras ameaças no turno dele ao invés de usarem a fase final do seu turno para comprar cartas com Visão da Quimiomante ou  usar Desprezo de Vraska no passe. E a primeira habilidade fica relevante após o side, onde entro com 3  Coagir que podem ser jogados na fase de compra do oponente.

 

O MCQ

 

Na sexta-feira, eu até cheguei a testar o deck, terminando 2-3 no FNM. Não me sentia super animado, mas estava confiante que ia tentar o meu melhor.

 

Round 1: Bye - 2-0 (1-0)

Meu opponent só queria a promo, logo não jogamos e ele dropou. Resumindo, fiquei com a vitória.

 

Round 2: vs Sultai Midrange 2-0 (2-0)

O game 1 foi ganho por 3 Ladra da Sanidade . No game 2 eu levei um ego a deriva nomeando Teferinho e depois outro nomeando thief. Acho que ganhei com o Teferi grande (meu oponente mal tinha recursos sobrando).

 

Round 3: vs Esper Control 2-0 (3-0)

Fiz o pior erro da minha vida de jogador de magic. Game 1, esqueci de fazer meu primeiro land-drop, basicamente deixando meu oponente começar comprando. Fiquei muito tiltado, mas ganhei do mesmo jeito por conta de uma Ladra da Sanidade não respondida. Acho que o oponente que ficou tiltado e perdeu o game 2 para o meu side.

 

Round 4: vs Esper Control 2-1 (4-0)

Eu ganhei do Helio Gil  na câmera depois de três jogos difíceis. Só depois fui descobrir que era o aniversário dele! 

 

Round 5: vs RG aggro 2-1 (5-0)

Peguei o Artur que estava de RG agro, e mesmo sendo relativamente novo ao jogo ele já havia vencido um colega meu que estava com uma lista muito parecida com a minha. Foram jogos muito difíceis. Game 1 muliguei a 5 e tomei para o caranguejo que adapta e pega mais caranguejos. Game 2 acredito que ele muligou para 5, e o game 3 foi bem disputado, mas eventualmente consegui fechar o jogo com um Teferi, Herói de Dominária e uma Liliana, Dreadhorde General que fez ele sacrificar um Tirano da Carnificina .

 

Round 6 - I.D. (5-0-1) com o Lucas Andres Madsen Pinke .

Aproveitamos e fomos ao Habbibs comer, conversamos e conseguimos dar uma relaxada.

 

Round 7 - I.D (5-0-2) com o Giovanni Santin . Depois desse I.D., eu estava locado no top 8 (o que já foi uma grande surpresa para mim). É bem verdade que, nesse ponto, eu estava olhando para o prêmio de segundo colocado (2 booster boxes de WAR seriam suficientes para conseguir pegar uma dual land para o meu legacy). Eu não estava nem sonhando em ir para o Mythic Championship (cough cough, Pro Tour, cough cough).

 

TOP 8: vs Azorius Aggro 2-0 (6-0-2)

Cai contra o Pedro Braga Plá e game 1 ele não comprou a segunda land e no game 2 eu vim com resposta para todas as ameaças dele, dando um Finale of Eternity com X=2 para fechar o jogo.

 

TOP 4: vs Simic Nexus 2-0 (7-0-2)

Fui contra o Guilherme Alves na stream. Game 1 foi ganho por uma Ladra da Sanidade que me deu uma Tamiyo, Collector of Tales  para voltar o Dovin's Veto duas vezes. Game 2 foi uma mistura dele comprar muito mal e eu conseguir colocar alguma pressão com interações.

 

Final: vs Bant Midrange 2-1 (8-0-2)

Eu estava super feliz de estar na final contra o Lucas Andres Madsen Pinke , outro brother de Brasília, sabendo que os jogos, enquanto competitivos, iriam manter o mesmo ar amigável. O primeiro jogo foi uma guerra de  Ladra da Sanidade contra Prison Realm , mas eu acabei comprando melhor. E, depois de conectar com a terceira  Ladra da Sanidade , acertei uma Vivien Reid  e virei o jogo. No segundo jogo, eu tinha uma mão cheia de terrenos e acabei fazendo uma aposta que envolvia tirar as respostas do Pinke para um eventual PW meu. Continuei comprando lands o resto do jogo e perdi quando ele conseguiu curvar direitinho até a God-Eternal Oketra . No jogo 3, eu vi uma mão com um Ugin, uma remoção e um descarte. Dei keep tranquilo e usei meus recursos para manter a mesa limpa até meu turno 6 quando o Ugin, the Ineffable  caiu matando a Lyra, Portadora da Alvorada  dele. Depois disso, o Teferi, Herói de Dominária  que eu tinha comprado subiu me dando mana para castar o Mortificar  na Oketra e o jogo basicamente acabou.

 

E, então, eu ganhei o MCQ…

 

Reflexões

 

E, agora, estou aqui, escrevendo um report sobre como eu acabei ganhando o MCQ. Acho que a melhor reflexão que eu tive sobre essa experiência foi em relação à minha mentalidade de jogo. Em vários momentos da minha vida de jogador de magic, fiquei desapontado por precisar mulligar em um match ruim ou simplesmente não comprar bem. Mas, neste torneio, me esforcei ao máximo para ver apenas o que estava à minha frente em qualquer dado momento. Minha mão de 7 faz alguma coisa contra Nexus? Se a resposta é não, mulligan. Qual é o meu plano de jogo em qualquer dado momento? Como que planejo ganhar? Como que perco? Como que o meu oponente pode virar o jogo e o que eu posso fazer para evitar isso? Durante o torneio, deixei esses pensamentos me guiarem e eles me ajudaram a ver as melhores linhas de jogo.

 

Em  relação ao deck, não sei se eu mudaria algo, tudo vai depender de como o meta vai se desenvolver. Mas acredito que as  Assombração do Sino da Basílica possam entrar no main dependendo do meta. Uma carta que eu realmente gostaria de ter testado mais é o Dovin, Grão-árbitro . Ele me parece muito bom no deck. O Esper Midrange definitivamente é um deck muito forte no meta atual, ele ataca por diferentes ângulos que demandam respostas e pode roubar muitos jogos com seus planeswalkers. Mas apenas o tempo irá dizer qual build do deck realmente irá prevalecer.

 

Muito obrigado por terem lido meu artigo! Espero que tenha sido uma leitura agradável e informativa :)

 

Bônus

Para os amiguinhos que gostam de ler livros de fantasia e ficção, o link abaixo vai mandar vocês para o prólogo do livro que eu estou escrevendo há mais de três anos. Espero que vocês gostem! Ah, detalhe, está tudo em inglês - não gosto de escrever ficção em português. Vocês foram avisados!

https://docs.google.com/document/d/17yuozqudwJw044aQruXP7FmFle3HlgN9gB3nZwdeWl4/edit?usp=sharing


Jonathan L Melamed

Jogador de Magic: the Gathering com alguns resultados expressivos no cenário nacional e internacional. Juiz nível 1 sempre disposto a ajudar em torneios. Jogador de Vanguard com admiração especial pelo clã Oracle Think Tank. Entusiasta de Board Games, especialmente os mais leves do tipo Party Games como Carcassonne, Ascension, King of Tokyo, Coup, entre outros.



Carregando...